November 29, 2008

A Dança - II



E dançaram toda a noite
dançaram por toda a rua,
até as luzes se apagarem,
de olhos fechados,
de olhos abertos.

Os lábios já não mais estavam negros,
o sol nascia,
brilhava nos telhados e janelas,
da cor laranja da manhã.

Ele a soltou do seu abraço,
ela já não mais tinha frio.

Os rostos já não mais amarelos,
mas olhos ainda escuros,
de longas pestanas,
e baixos.

O rosto dela corado,
o cabelo lhe caía na face,
ele lhe fitava os lábios,
sempre e somente os lábios.

Lábios que não mais eram negros,
mas corados, como a face,
vermelhos como cerejas,
por mais que isso soe estranho.

Ela já não mais tinha frio,
e ele tinha a face corada,
banhado do sol laranja da manhã,
corado do esforço da dança, e mais.

Seus olhos já não tão baixos,
agora ela os erguia,
devagar,
ainda fitando os lábios,
que já não mais eram negros,
mas róseos como a manhã,
por mais que isso soe estranho.

Ela então ergueu o rosto,
e os olhos escuros de longas e pesadas pestanas.

E já não mais presa pelo abraço,
tocou, com os seus, os lábios dele.

E afastou-se, satisfeita,
Como se o tivesse marcado como seu.

em 09/08/2008

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